Autocracia burguesa e bolsonarismo: um ensaio
Main Article Content
Abstract
In the essay, we analyze the upsurge of bourgeois autocracy at the current stage of development of Brazilian dependent capitalism. For this, we dialogue with the contributions of Florestan Fernandes and Octavio Ianni and other important authors of the Marxist tradition of Brazilian social thought, in order to apprehend important aspects of our social formation and analyze this autocratic upsurge especially in social policies, penal system and public security. We have the New Republic (NR) as a period of slow and gradual expansion of bourgeois autocracy along the lines of capital-imperialism and neoliberalism. Bolsonarism develops within the democratic-bourgeois frameworks of the NR, making its autocratic character explicit, showing its intensity, and increasing it. Analyzing the triad of social policies, public security and penal system, we conclude that, behind democratic veils, not only the autocratic normality of Brazilian dependent capitalism continued, but it became more sophisticated and recrudicated, with Bolsonarism being the expression and shaper of this process.
Article Details

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Desde que se atribua crédito ao/à criador/a original, a licença permite que outras pessoas usem, façam adaptações e compartilhem a obra para fins não comerciais. Isso significa que o uso da obra não pode ser feito visando auferir rendimento comercial.
References
ARCARY, V. Um reformismo quase sem reformas: uma crítica marxista do governo Lula em defesa da revolução brasileira. São Paulo: Editora Sundermann, 2014.
BEHRING, E. R. Estado no Capitalismo: notas para uma leitura crítica do brasil recente. In: BOSCHETTI, I.; BEHRING, E. R; LIMA, R. L. (orgs.). Marxismo, política social e direitos. São Paulo: Cortez Editora, 2018. p. 39-72.
BOITO JR., A. A burguesia, o “lumpesinato” e o governo Bolsonaro. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2019/04/21/artigo-or-a-burguesia-o-lumpesinato-e-o-governo-bolsonaro/. Acesso em: 17 jun. 2020.
BRASIL. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias Atualização - Junho de 2017. Brasília: Ministério da Justiça e Segurança Pública, 2019.
CASTELO, R. O social-liberalismo: uma ideologia neoliberal para a “questão social” no século XXI. 2010. Tese (Doutorado em Serviço Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.
CASTELO, R. Crise conjuntural e (re)militarização da “questão social” brasileira. Margem Esquerda, São Paulo, n. 23, p. 46-51, 2014.
CHAGAS, R. P. Florestan Fernandes: a autocracia burguesa como estrutura histórica e a institucionalização da contra-revolução no Brasil. 2011. Dissertação (Mestrado em História Social) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.
CRUZ, A. V. H.; MINCHONI, T.; MATSUMOTO, A. E.; ANDRADE, S. S. A ditadura que se perpetua: direitos humanos e a militarização da questão social. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 37, n. spe, p. 239-252, 2017.
DEMIER, F. Depois do Golpe: A dialética da democracia blindada no Brasil. Rio de Janeiro, Mauad, 2017.
FERNANDES, F. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Globo, 2006.
FERNANDES, F. Nova república? Rio de Janeiro: Zahar, 1986.
FONTES, V. O Brasil e o capital imperialismo: teoria e história. Rio de Janeiro: EPSJV/Editora UFRJ, 2010.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019. São Paulo: FBSP, 2019.
IANNI, O. A ditadura do grande capital. São Paulo: Expressão Popular, 2019.
MACIEL, D. Florestan Fernandes e a questão do transformismo na questão do transformismo na transição democrática brasileira. Anais do IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina, p. 102-112, 2011.
MARINI, R. M. Dialética da dependência. Germinal: Marx. e Educ. em Debate, Salvador, v. 9, n. 3, p. 325-356, 2017.
MARX, K. O 18 de brumário de Luís Bonaparte. São Paulo: Boitempo, 2011.
MARX, K. O Capital. Crítica da Economia Política. Livro 1. O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013.
MAZZEO, A. C. Estado e burguesia no Brasil: origens da autocracia burguesa. São Paulo: Boitempo, 2015.
MEDEIROS, M.; SOUZA, P. H. G. F.; CASTRO, F. A. A estabilidade da desigualdade de renda no Brasil, 2006 a 2012: estimativa com dados do imposto de renda e pesquisas domiciliares. Cien. Saude Colet., Rio de Janeiro, v. 20, n. 4, p. 971-986, 2015.
MOURA, C. Sociologia do negro no Brasil. São Paulo: Editora Perspectiva, 2019.
PRADO JR., C. Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo: Cia das Letras, 2011.
REDE DE OBSERVATÓRIOS DA SEGURANÇA. Operações policiais no RJ durante a pandemia: frequentes e ainda mais letais. Disponível em: http://observatorioseguranca.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Operac%CC%A7o%CC%83es-policiais-no-RJ-durante-a-pandemia.pdf. Acesso em 17 jun. 2020.
SAMPAIO JR., P. A. Entre a nação e a barbárie: os dilemas do capitalismo dependente em Caio Prado, Florestan Fernandes e Celso Furtado. 1997. Tese (Doutorado em Economia) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.
SILVA, S. M. P.; FRANÇA, M. H. O.; MACIEL, V. V. Conservadorismo como instrumento capitalista em tempos de barbárie. R. Katál., Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 256-265, 2020.
WACQUANT, L. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Revan, 2003.