O Feitiço do Tempo: A crise financeira de 2007/2008 nas telas do cinema
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Resumo
A crise do capitalismo, desencadeada pelo craque financeiro de 2008, é apontada por especialistas das mais variadas procedências teóricas como uma das mais agudas de todos os tempos. Explodindo no coração do capitalismo, os EUA, a crise provocou consequências sociais trágicas, como o aumento do desemprego, a pulverização instantânea de economias familiares e a perda de habitações financiadas ou refinanciadas em contratos extorsivos. Passados cerca de quatro anos, ainda não é claro se a crise foi superada ou se continua entre nós, provocando a quebra financeira da Europa. Trata-se, portanto, de um episódio histórico que, como os episódios históricos da atualidade, recebeu registro quase imediato do cinema. Três produções estadunidenses são particularmente hábeis ao expor o jogo financeiro sujo e irresponsável que funcionou como gatilho do espocar da crise: Capitalismo: uma história de amor (2009), de Michael Moore; Wall Street: o dinheiro nunca dorme (2010), de Oliver Stone; e Trabalho Interno (2010), de Charles Ferguson. O propósito do artigo é contrastar essas três produções, observando-as não como denúncias (fundamentais que são) da conduta corrupta, elitista, individualista e mesquinha dos sujeitos no comando das corporações financeiras e de seus braços estatais ou paraestatais, mas como interpretações das causas da crise. Neste contraste, o foco recai sobre a capacidade dos filmes em (1) associar a crise ao funcionamento regular do capitalismo; (2) perceber a desarticulação, no plano teórico e prático, da mobilização anticapitalista como elemento decisivo do atual estágio do capitalismo (em que a ação sem limites do capital financeiro aparentemente tem acelerado a produção de crises); e (3) vislumbrar uma superação da crise para além dos marcos do próprio pensamento conservador, hoje pendendo para as costumeiras demandas por regulação estatal.
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